Artigos Técnicos Archives - Sementes Agromax

bujao de semen

Uso da Inseminação Artificial na Pecuária de Corte

Artigos Técnicos | Deixe um comentário

A inseminação artificial (IA) em gado de corte tem crescido muito nos últimos anos, principalmente em função da utilização da inseminação artificial em tempo fixo (IATF).

Segundo dados da ASBIA, em 2010 foram comercializados mais de 10 milhões de doses de sêmen, sendo aproximadamente 60% para a pecuária de corte. Esta quantidade de sêmen corresponde a apenas 7% dos nascimentos na pecuária brasileira e existe uma perspectiva para que esse número chegue 12% em 2020.

A Inseminação Artificial (IA) apresenta várias vantagens:

• Seleção genética mais acentuada
• Possibilidade de utilizar o cruzamento industrial em regiões de clima quente e com isso desfrutar das vantagens desta técnica
• Redução dos custos com manutenção do touro
• Prevenção de acidentes em vacas e novilhas (touro pesado)
• Prevenção acidentes com pessoas (touros agressivos)
• Utilização de touros já mortos de grande valor genético ou com problemas para realizar a monta
• Aumento do número de descendentes de touros geneticamente superiores
• Padronização dos lotes de bezerros e como consequência, facilidade de comercialização e de tornar o controle zootécnico do rebanho mais confiável

Porém, a IA apresenta alguns inconvenientes como necessidade de mão de obra treinada e comprometida com os resultados, manejo do botijão de sêmen e, principalmente, aos problemas de observação do cio. Em função dessas dificuldades e do anestro pós-parto, a IA convencional não obteve sucesso na pecuária de corte, pois a taxa de serviço era muito baixa. Assim, ao invés de aumentar a eficiência reprodutiva, a IA com observação do cio reduziu o ganho econômico do pecuarista em relação à monta natural, em função principalmente dos problemas para identificar vacas de corte em cio. No entanto, com o advento da IATF esse cenário se modificou e, atualmente, a inseminação artificial passou a ser utilizada em maior escala na pecuária de corte.

Na IATF, as vacas recebem um tratamento hormonal especifico definido pelo medico veterinário, e podem ser inseminadas sem a observação de cio. Com isso, a IATF resolve o grande problema da IA, que é a observação de cio. Além disso, o tratamento hormonal induz ciclicidade nas vacas que porventura não emprenharam. Esses dois fatores tem impacto significativo no intervalo entre partos e consequentemente na eficiência reprodutiva do rebanho.

Por Equipe Rehagrowww.rehagro.com.br

 

cuenca-lechera

Eficiencia no Manejo do Pasto Rotacionado

Artigos Técnicos | Deixe um comentário

As pastagens constituem a base fundamental da exploração pecuária no Brasil central. Algumas revisões de literatura, apresentadas por diferentes autores, mostraram que a produção das plantas forrageiras concentra-se no período quente e chuvoso, ou seja, de outubro a março (cerca de 75 a 85% da produção total), e apenas 15 a 25% da produção total ocorre no período de “inverno” (abril a setembro) (NUSSIO et al. 1999). Dentro dessa ótica, o conceito de pastejo intermitente, ou rotacionado, tem sido uma das formas de utilização mais estudadas e indicadas deste recurso.

Esse tipo de manejo tem como objetivo tornar o consumo mais eficiente das folhas produzidas, proporcionando o fornecimento de alimento de boa qualidade para os animais e fazendo com que a rebrota do capim ocorra de maneira uniforme. Dentro deste raciocínio, formas ainda mais eficientes de manejar um pasto rotacionado estão sendo estudadas. Inicialmente pensava-se em rotação de pastagens como uma simples mudança entre piquetes de tamanhos iguais, de forma contínua, um seguido pelo outro e em tempos fixos. Porém, este conceito tem sido mudado, pois se percebe que os ganhos são muito maiores para ambas as partes, capim e animal, quando este manejo for feito de modo mais observador, a partir da avaliação das condições de cada piquete antes de colocar os animais em pastejo.

Vários pesquisadores estudaram o crescimento de pastagens e verificaram que, depois que a planta atinge certa altura, quando o capim já cobriu todo o solo e está fazendo sombra nas folhas mais baixas da touceira, há diminuição no crescimento da planta e morte das folhas mais velhas, denominadas senescentes. O ideal é que a planta seja consumida pelas vacas antes que as folhas mais velhas comecem a morrer, de forma a tornar mais eficiente o aproveitamento da forrageira (Lima et al., 2009).  Portanto, o ideal é avaliar as alturas de entrada e saídas dos piquetes, que poderão ser feitas com o auxílio de uma régua ou trena, para, só então, determinar o piquete que será o próximo a ser pastejado.

Uma vez definido o fluxo de pastejo, outros fatores importantes também precisam ser considerados, de forma a promover eficiência no sistema. Um deles é a taxa de fotossíntese da gramínea após a passagem dos animais, que pode ser prejudicada quando o pastejo for excessivo ou quando for reduzido, com muitas sobras. Quando a planta for pastejada de forma excessiva, seja pela altura de entrada ter sido abaixo da indicada ou por excesso de carga animal, a fotossíntese fica prejudicada pela pequena quantidade de folhas pós-pastejo para realiza-la. Em contrapartida, o excesso de folhas também é prejudicial à estrutura do pasto, devido à deficiência na interceptação luminosa, anteriormente citada, assim como à queda no consumo e no aproveitamento da forragem por parte do animal, já à qualidade da forragem é inferior em uma planta mais velha.

Pensando no anteriormente exposto, é um equívoco tentar reparar um erro de manejo mantendo animais por mais tempo no piquete até que o pasto rebaixe na altura ideal. Esta atitude pode provocar erros em cascata. O primeiro deles é o risco de os outros piquetes também passarem da altura ideal, prejudicando, assim, a eficácia do sistema. Adicionalmente, estudos apontam que, após a redução da pastagem a 50% da sua altura de entrada, tem-se uma redução de 30% do consumo de pasto pelos animais, pois, neste momento, a qualidade da forrageira já está ruim, com muitos talos, e o animal passa a selecionar mais. Um agravante seria manter animais em lactação, principalmente lotes com maiores médias, neste piquete, com o objetivo de rebaixar a pastagem. Esses animais iriam pastejar menos a partir de certa altura do pasto e perder em produção.
Caso queira reduzir a altura de determinada pastagem, opte por colocar lotes de repasse, vacas secas ou novilhas prenhes. Ou seja, lotes com menores exigências. Porém, ainda assim, o tempo de recuperação deste pasto será mais longo, devido à redução da interceptação luminosa nas folhas da base da planta.

Além dos fatores citados, o clima também pode ser um desafio ao pastejo intermitente. O primeiro ponto é a disponibilidade de água, que, por sua vez, depende da pluviosidade local. Além do mais, a temperatura da região também influencia no desenvolvimento da gramínea, pois muitas delas têm um crescimento muito lento em temperaturas inferiores a 15°C. Portanto, é preciso avaliar a pluviosidade e temperatura local ao se optar pelo sistema de pastejo, a fim de definir a gramínea mais adequada de acordo com o clima, solo, relevo.

Por fim, talvez o maior gargalo para um sistema de pastejo intermitente eficaz seria o manejo da pastagem em si, que depende de uma equipe devidamente treinada e empenhada no projeto. Depois de certo, tempo a tendência é que o funcionário fique capacitado, de modo que este manejo vai se tornando cada vez mais rápido, automático e eficaz. Assim, de forma quase somente visual, o responsável conseguirá definir o melhor piquete a ser pastejado, quantidade de animais, necessidade de repasse, etc.

Caso a implantação do sistema de manejo intermitente, com relação ao tipo de gramínea, tamanho dos piquetes e manejo adequado, seja eficaz, o sistema poderá ter muitos ganhos com relação ao desempenho dos animais. Com pastagens de qualidade, a economia com concentrados proteicos pode ser considerável, já que muitas gramíneas possuem boas quantidades de proteína. Este sistema de produção é um entre muitos outros dentro da pecuária e a escolha por ele dependerá dos desafios e características de sua propriedade.

Fonte da noticia: Portal Rehagro conteudo escrito por Emília Rabelo, médica veterinária; Breno Araújo, engenheiro agrônomo – Rehagro