Pecuaristas apostam em boas condições do pasto para ganhar queda de braço com JBS

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  • maio 26, 2017
recria+gado+corte

O abalo na política nacional provocado pela delação dos irmãos Batista ­ donos do conglomerado que inclui a JBS ­ também travou o mercado nacional do boi gordo. Pecuaristas e analistas relatam que desde a última quinta-feira (18) o volume de negócios é praticamente nulo.

Mas, a ponta da cadeia aposta no bom suporte das pastagens para ganhar a queda de braço com a maior processadora de proteína animal do mundo. Embora as cotações do boi gordo estejam até R$ 10 abaixo do praticado no ano passado, a intenção dos pecuaristas é evitar que os preços derretam.

Desde a semana passada a JBS assumiu postura de compra somente no prazo com 30 dias, mas os produtores se recusam a vender, com medo de calote. Na região de Juína, no Mato Grosso – estado com maior rebanho do país – o pecuarista e presidente do sindicato rural, José Lino, conta que a postura do produtor neste momento é de evitar as vendas.

“Ninguém quer vender a prazo. Aqueles que precisam estão negociando com outros frigoríficos da região para receber à vista, mas esses também já estão com as escalas alongadas”.

Para evitar que os preços caiam ainda mais, a ordem é negociar somente a necessidade de caixa. Até que a fumaça nebulosa se dissipe, os produtores vão segurando seus animais na fazenda com custo menor, graças ao alongamento na capacidade de suporte das pastagens.

Em um ano atípico para a pecuária, as chuvas se estenderam até maio, beneficiando os pastos. Com essa ‘vantagem’, o setor espera ter pelo menos mais 30 a 40 dias de folêgo até que o mercado tenha definições mais claras.

É evidente que a queda no preço da arroba desde o início do ano já causou prejuízo aos produtores, mas o objetivo agora é manter ‘frieza’ nas negociações. “Temos notícias de que as escalas da JBS caíram pela metade. Eles não conseguem comprar e tem pecuarista tirando animais da programação, então, seguramente precisarão vir ao mercado mais cedo ou mais tarde”, diz Lino.

Segundo o analista José Vicente Ferraz, da Informa Economics FNP, no levantamento mais recente – realizado na semana passada -, as escalas de abate da JBS atendiam em média até 30 de maio. Somado a isso, os estoques das câmaras frias garantiriam abastecimento até 3 de junho.

“Nosso entendimento é que empresa precisará continuar atendendo seus fornecedores do mercado interno e, principalmente, externo. Essa necessidade pode modificar a postura atual, mas não podemos prever qual será”, acrescenta Ferraz.

A expectativa é que a empresa possa retomar os negócios a vista e/ou aumentar as ofertas de compra. Em praticamente todas as regiões do país, a JBS tem preço abaixo dos demais frigoríficos. Em Juína, enquanto os concorrentes pagam até R$ 118/@ pela vaca gorda, a empresa dos irmãos Batistas não oferta mais que R$ 116/@. Em Goiás a realidade é parecida, o vice-presidente institucional da Faeg (Federação de Agricultura do Estado), Eduardo Veras, conta que a diferença entre os frigoríficos é de R$ 5/@.

Esperamos que o cenário se desenrole o mais breve possível, porque “produtor está perdendo a capacidade de honrar seus compromissos financeiros”, diz Veras. Segundo ele, a Faeg já organiza rodadas de discussão para buscar alternativas ao setor, como acesso ao crédito e prolongamento de custeio.

Fonte da Informação : Portal Noticias Agricolas

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